nome:
e-mail:
08/04/2011 2 Comments

Estudo de case de Marketing Digital nº 23 – Franz Ferdinand e a escolha de bandas

Share

A banda escocesa de Rock, Franz Ferdinand trouxe sua turnê para o Brasil no início de 2010 (a imagem acima é da turnê de 2006), onde se apresentou em 4 cidades começando em Porto Alegre, passando por Rio de Janeiro e Brasília e finalizando a turnê em São Paulo. Como já é de costume em shows de rock, uma banda é responsável por fazer o show de abertura para agitar o público antes da banda principal.

Na maioria dos casos são escolhidas bandas do país onde acontecerá a turnê, mas nem todas as organizadoras de eventos escolhem bem os responsáveis pelo show de abertura e a divergência entre os estilos musicas das bandas vem gerando bastante polêmica nos shows e duras críticas as organizadoras.

Para evitar este tipo de problema, a banda optou por outra maneira na hora de escolher as bandas para os shows de abertura. O Franz Ferdinand criou o site www.day1e.com.br/franzferdinand/ onde bandas locais interessadas em abrir o show deles em uma das cidades podiam se cadastrar, enviando perfil no My Spaces, fotos, músicas e vídeos.

Após a etapa de cadastramento que teve um total de 200 mil bandas inscritas, ficou mais fácil da banda escocesa escolher aquela que mais tinha seu estilo musical. A escolha das bandas para a abertura foi muito boa, tanto que os fãs gostaram das apresentações nos 4 shows.

A Internet permite rapidamente reunir quantidade que gera qualidade de uma forma muito barata. Essa ação mostrou o queanto a Internet permite que o público-alvo participe de “ações autosserviço” de maneira abrangente.

Segundo reza uma lenda, Mark Zuckerberg, também conhecido como o garoto bilionário fundador do Facebook, certo dia, em que estava desenvolvendo o que viria a ser a maior rede social do planeta lembrou-se que tinha uma prova para estudar em seu curso em Harvard. O problema é que ele não tinha tempo para estudar porque estava montando o futuro bilionário dele, porém, ser reprovado na matéria não era uma opção.

Zuckerberg montou uma página na web com todas as obras de arte que cairiam na prova e colocou um espaço em branco para as pessoas comentarem sobre cada uma. Espalhou a página entre seus amigos. Imediatamente cada um contribuiu com o que sabia. A soma de todas as contribuições fez da página a melhor coleção de dados que não estava, na sua totalidade, na memória de ninguém, mas agora todos podiam usufruir do conhecimento coletivo. Você lembrou da Wikipédia, certo? É exatamente esse o princípio. A inteligência coletiva.

Pense em como sua empresa pode, em meio à quantidade, descobrir a qualidade, divulgando para o mercado suas iniciativas e o que necessita em termos de produtos, serviços, fornecedores, ideias etc. Esse é exatamente o princípio da Inovação aberta, que já falei no blog, tendência já presente para chegar a todo tipo de empresa nos próximos anos.

A queda da barreira geográfica é que permite tais ações. Esse é um caso de “Pense globalmente, aja localmente”. A internet é um ótimo veículo para reunir pessoas ou instituições que estão espalhados por qualquer lugar do mundo. Essa é uma das grandes mudanças que a internet trouxe para o nosso mundo baseado em informações.

04/04/2011 1 Comentário

Estudo de case de marketing digital nº 22: O “quer pagar quanto” do Radiohead

Share

Em 9 de outubro de 2007, a banda britânica de rock alternativo Radiohead lançou as 10 músicas do seu sétimo álbum intitulado “In Rainbows”. Até aí, nenhuma novidade, porém, ao invés de estipular um preço pelo álbum, ele ficou disponível no site www.inrainbowns.com em MP3 e permitia ao fã escolher quanto queria pagar por música baixada, e inclusive poderia baixá-la gratuitamente.

A ideia, até então um tanto estapafúrdia para ser tentada por qualquer outra banda, encontrou no gerente da banda Chris Hufford, um defensor árduo. Segundo um crítico de música, “parecia que uma granada tivesse sido jogada no meio de uma indústria que já estava desestabilizada”.

O álbum foi inicialmente comercializado na Internet pelo sistema “pague o quanto quiser”, e só depois em CD.
Foram 1,8 milhão de cópias do álbum baixadas em todo o mundo, sendo que 40% dos downloads foram pagos, ou seja, 720 mil downloads.

Um levantamento da Comscore, revelou que a média paga por download foi de US$2,26, ou seja, mais de US$1,6 milhão no caixa da banda em apenas algumas semanas. A informação não foi confirmada pelos integrantes da banda. O vocalista Thom Yorke revelou que em termos de receita digital eles “ganharam mais dinheiro com esse disco do que com todos os outros somados”.

O álbum quase superou as vendas conjuntas dos antecessores Amnesiac (2001) e Hail to Thief (2003), com 1,9 milhão no total. Só no 1º dia de lançamento, foram vendidas 1,2 milhões de cópias do CD.

Além disso, a Radiohead com esta estratégia conseguiu muitos novos ouvintes e fãs da banda. No total o álbum conseguiu 17 milhões de audições no Last.FM e foi primeiro lugar das paradas tanto nos Estado Unidos quanto na Inglaterra.

A turnê da banda contou com mais de 1,2 milhão de pessoas e eles a começaram pelas cidades que mais compraram as músicas do álbum. Funcionou como uma pesquisa de mercado para saber quem seria mais adepto a pagar o ingresso. O álbum, no formato CD, chegou ao topo das paradas britânica e norte-americana.

É lógico que esse resultado se deve a dois principais fatores: a “marca” Radiohead é uma marca amada pelos seus fãs e tem um mercado global – condições ideiais para que a Internet potencialize a ação de venda da informação.

O fato de fãs de uma banda constituir um mercado globalmente pulverizado, facilita ações na internet. Esse case expôs de maneira inovadora a questão de preço e valor. Ao perguntar para o fã quanto ele queria pagar pelo álbum, eles também perguntam: “qual o valor que você dá à minha música?”.

Alguns desdobramentos da experiência do Radiohead pode ser lido no G1.

Já pensou em fazer essa pergunta para seu consumidor? Você pode se surpreender (para o bem ou para o mal, é claro).

Vídeo: http://conra.do/i2yFYB
Para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/In_Rainbows (o verbete em inglês está bem mais completo: http://en.wikipedia.org/wiki/In_Rainbows), http://conra.do/dUi8vM.

Um livro interessante para ler a respeito do assunto, além do clássico “Free”, é o “O Preço inteligente“, de Jagmohan Raju e Z. John Zhang, ambos professores da Wharton School.